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Os piores clichês de sinopse que todo escritor já cometeu (e alguns ainda cometem)

livros prateleiras estante

Olá, mamíferos bípedes portadores de polegares opositores.

Mais um dos posts reescritos, e como já percebi que vocês gostam de listas (principalmente quando falo mal dos outros), vamos com mais uma.

Dessa vez, todos nós vamos rir juntos e (por que não?) nos reconhecer um pouco. Afinal, que escritor nunca deslizou num clichê feio?

Dá até pra fazer um drinking game. Para cada fanfic/original que achar com uma sinopse semelhante, tome uma dose de tequila, vodka, cerveja, querosene, óleo diesel, perfume, qualquer bebida à sua escolha. Só não me responsabilizo por eventuais comas alcoólicos, beba por sua conta e risco.
Se segura na cadeira e vamos lá.


Introdução: por que tantos autores caem nos mesmos clichês de sinopse?
Escrever sinopse é quase sempre um esporte radical: você tem poucas linhas para convencer alguém de que sua história vale a pena e, na maioria das vezes, a reação imediata é o desespero.

E o que o ser humano faz quando está desesperado? Exatamente: se agarra ao que já viu alguém fazer antes. De preferência, cem vezes. Por isso os clichês brotam como mato.

Não porque os autores “não sabem escrever”, mas porque sinopse mexe com três medos universais: medo de não ser interessante, medo de entregar demais e medo de não entregar nada.

Então o escritor, nervoso, troca autenticidade por fórmulas prontas. É quase um instinto de autopreservação criativa. Um tipo de pânico literário que faz qualquer pessoa, até a mais talentosa, escrever a mesma sinopse que todos nós já vimos (e já julgamos).

E é exatamente por isso que esse post existe: para rirmos juntos, reconhecermos nossos próprios deslizes e, quem sabe, finalmente quebrar essa maldição que assombra escritores desde a era das fanfics do Orkut.

5) "...mas algo acontece que vai mudar a vida dela para sempre"

Aqui temos a história de Fulana. Ela era uma garota comum, com uma vida comum, emprego comum (quando tem emprego), namorado comum (quando tem namorado) até que acontece alguma coisa que dá uma mudança de 180º da vida da criatura. E pode ser qualquer coisa: mudança de cidade, de emprego/escola; acidente; abdução alienígena; ataque zumbi.

Só que o mais comum é tropeçar num fulano bonitão qualquer que vai amá-la incondicionalmente mesmo ela sendo um pé no saco sem atrativo nenhum e os dois se conhecerem somente há cinco minutos.

 

4) "Essa não é só mais uma história de (...)"

Variação leve do tipo de sinopse anterior, então vamos aproveitar o mesmo exemplo acima: Fulana é uma garota comum, com uma vida comum, um emprego comum, mas essa não é só mais uma história sobre uma garota comum porque ela descobre um segredo misterioso que pode fazer o mundo descobrir a Pergunta Fundamental para a Resposta Final sobre a Vida, o Universo e Tudo o Mais.

Parece interessante, mas só até você perceber que o autor te enganou e é só mais uma história sobre uma garota comum, sim, onde nada acontece e geralmente quem escreveu tirou pseudomistérios da orelha e vai resolver tão bem quando uma criança de 5 anos montando um castelo de cartas (pelo menos no caso da criança, ainda é fofinho de assistir).


3) "Ele é Fulano. Ela é Beltrana. Ele sabe assoviar e chupar cana. Ela sabe andar de bicicleta tocando violino."

Clássico. E ainda vem acompanhado do mais clássico ainda "Poderia nascer um amor?".

Aqui vou dar minha cara a tapa e falar que até já peguei um pouco dessa fórmula tosca, mas em minha defesa eu tinha 15 anos. Dá um desconto.

Esse clichê é irritante e ainda me deixa, particularmente, cheia de expectativas. Se topo mesmo com a sinopse acima, o máximo que eu acharia possível como resultado seria um espetáculo circense. Writing Horror Story: Freak Show.


2) "Vamos ler e ver o que acontece?"

E variações. Para saber o que vai acontecer nesse tipo de história só lendo para saber.

Mentira. Na verdade, é tipo novela. Todas as hipóteses que você formular no primeiro capítulo com base no que você leu anteriormente do mesmo gênero vão se provar verdadeiras. O máximo que pode te surpreender é o fato de quanto mais clichê a sinopse, mais leitores a história tem. Impressionante.

 

1) E se?

Essa é mais em fanfic mesmo. E se fulano não tivesse morrido? Se fulana não tivesse entrado naquele carro? E se fulano tivesse escolhido sorvete de creme, não de milho verde? E se fulana tivesse combinado a bolsa com o brinco, não com o sapato?

Sempre isso. Geralmente acaba dando em algo que não tem nada a ver com o enredo original e na maioria das vezes os personagens agem de maneiras totalmente distintas.

Podia pelo menos colocar que é um universo alternativo, ia ser menos feio.


Conclusão: por que entender clichês melhora sua escrita

No fim das contas, reconhecer clichês não serve para cultivar superioridade literária (embora dê uma vontadezinha, eu sei). Serve para algo mais útil: te dar consciência narrativa.

Clichê não é só um enfeite previsível, ele é um sintoma. Quando você cai em um, normalmente significa que algo ali não foi pensado com profundidade: a motivação, o conflito, o arco do personagem, ou simplesmente a autenticidade da sua voz autoral.

Entender por que sinopses se tornam clichês te ajuda a identificar seus atalhos preguiçosos, perceber onde está repetindo modelos ao invés de criar e, principalmente, descobrir o que a sua história realmente tem de único.

Porque uma sinopse bem escrita não promete o mundo, mas revela o coração da obra, e isso nenhum clichê consegue fazer.

Agora me conta: qual desses você já usou? E qual você já teve o desprazer de ler?

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1 Comentários

  1. "Ele sabe assoviar e chupar cana. Ela sabe andar de bicicleta tocando violino"
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Resumiu a vida fofa, é só o que vejo nas sinopses por aí O.o

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