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Como nomear personagens sem cair no clichê

nomes e sobrenomes populares

Oi, pessoal, tudo bem? Espero que estejam escrevendo bastante, porque hoje vamos falar de um tema que costuma tirar o sono de muitos escritores: como nomear personagens.

Sim, nomes. Essa palavrinha simples, mas que pode travar até os autores mais experientes.

Particularmente, sempre tive dificuldades nessa parte. Seja para nomear personagens ou até mesmo minhas próprias histórias, sempre sinto que vou escolher algo brega, piegas ou simplesmente sem impacto. Para vocês terem uma ideia, estou tentando criar um mundo para ambientar umas histórias, mas minha maior dificuldade não é em definir a mitologia, as bases da cultura de cada povo, ou criar algo que realmente seja vivo e pareça existir. Minha principal tristeza é criar lugares lindos e pessoas interessantes, mas não saber como chamar cada um deles.

E sei que não estou sozinha. Por mais que existam sites de nomes de bebês ou listas prontas na internet, a dúvida permanece: como escolher o nome certo para um personagem? Afinal, não dá para desperdiçar todo aquele esforço de construção criando alguém incrível que vai se chamar de um jeito que não convence o leitor.

Por isso fiz esse post. Se você também sofre com isso, pega um suquinho e vem comigo. Vou compartilhar dicas práticas que podem salvar sua escrita e dar mais identidade às suas histórias.


1. Use ferramentas para ter ideias de nomes

Antes de mais nada, vamos resolver 80% do problema. Dois sites já quebram muito galho na hora de encontrar opções:

Com eles, você dificilmente vai precisar abrir um tópico em grupo de Facebook perguntando “como devo chamar meu personagem X?”. Explore, teste combinações e veja o que soa melhor para você. Só com esses dois, você já consegue adiantar boa parte do seu trabalho.


2. Considere a origem cultural do personagem

Um dos pontos mais importantes para escolher nomes é saber de onde seu personagem vem. Não importa tanto onde a história se passa, porque ele pode ser um viajante, estrangeiro, ter família de outro país, etc. O que importa é a origem.

Alguns sobrenomes carregam a marca da sua cultura só de olhar.

  • Finlandeses: quase sempre terminam em –nen.
  • Romenos: em geral terminam com –scu.
  • Brasileiros: mistura de influências, mas com predomínio de sobrenomes portugueses (Silva, Souza, Ferreira) ou espanhóis (Garcia, Lopes, Fernandes).

Aqui no Brasil temos uma vantagem (e um desafio): os pais escolhem nomes que gostam, sem se importar com a origem. Já topei com uma menininha chamada Hilary e estudei com um garoto chamado Richard (sério) e isso pode se refletir também em seus personagens, desde que haja equilíbrio. Para cada Jennifer que aparecer, coloque uma Mariana ou Cláudia para equilibrar.

Outros, são usados em vários lugares e têm a mesma escrita, no máximo vai mudar a pronúncia (Daniel, Amanda, Gabriel... O meu também pode ser citado. Há várias Micheles espalhadas nesse mundão véio sem portera).


3. Não esqueça a origem familiar

Além da cultura geral, pense na família do personagem. Um sobrenome precisa ser coerente com sua ascendência. Não é nada plausível um personagem sem nenhuma ligação com o Japão se chamar Fulano Suzuki, ou alguém sem ascendência inglesa/americana carregar o sobrenome Beltrano Smith.

Isso não significa que você não possa misturar, mas que deve construir um background familiar verossímil para sustentar essas escolhas. Quem é a família dele? De que país eles vêm? Ou são nativos do país em que moram e não possuem estrangeiros nela? Leve em consideração tudo isso.


4. Preste atenção na sonoridade

Nomes são palavras, e palavras têm música. Leia em voz alta o nome completo do seu personagem. Ele soa bem? O sobrenome rima demais com o primeiro nome? Fica difícil de falar? A combinação parece estranha?

Se a sonoridade não agradar, não hesite em trocar. O leitor também vai ler em voz alta na cabeça, e nomes mal-ajustados podem quebrar a imersão. Importante fazer isso com todos os membros da família, aliás: não adianta o nome do protagonista soar bem e o do irmãozinho mais novo ficar esquisitio. Tente escolher uma opção que fique com todos os nomes que você escolheu.


5. Evite complicações desnecessárias na fantasia

Se você, como eu, está se aventurando na fantasia (clássica ou não) e precisa de nomes totalmente originais para os seus personagens, existem vários geradores de nomes de fantasia na internet, ou você pode usar nomes antigos, que são raros de encontrar hoje em dia. Meu método preferido é sair brincando com sílabas e ver que nomes formam e observar como soam.

Mas aqui é importante ter cuidado com uma coisa: pronúncia, porque a tentação de inventar nomes exóticos é grande, e é importante ter cuidado.

A não ser que seja intencional criar nomes indizíveis (como o Lovecraft com o Cthulhu), seus nomes precisam ser legíveis e pronunciáveis. Ou, ao menos, dar a ele a chance de falar algo que seja próximo à pronúncia correta sem correr o risco de acabar invocando um demônio acidentalmente.

Excesso de letras também pode prejudicar. A não ser que seja algo próprio da língua do país ou reino que você criou ter determinados fonemas ou criar nomes de X jeito, para quê dizer Scherynnayah quando podemos escrever Sherinaia e facilitar a vida do leitor (e até a sua própria, que vai demorar menos tempo contando quantos Ns e Ys tem o nome na hora de escrever)?

O truque é buscar originalidade sem prejudicar a leitura.


6. Nomes não precisam refletir a personalidade

Muitos escritores ficam obcecados em dar ao personagem um nome que resuma sua essência, mas essa preocupação costuma ser um peso desnecessário.

Quando nossos pais nos batizaram, muitos escolheram nomes pelo significado, só que raramente crescemos refletindo exatamente essa intenção. Quantas pessoas descobrem o significado do próprio nome e percebem que não tem nada a ver com sua vida?

Exemplo: imagine um ateu chamado Christian (“cristão”)? Ou um militante pró-Palestina chamado Israel?. A ironia mostra que nome e personalidade não precisam coincidir. Então não se torture buscando “o nome perfeito”, isso não existe. O mais importante é que soe verdadeiro no contexto da sua história.


7. Teste, brinque e observe

Por fim, não tenha medo de experimentar. Misture sílabas, resgate nomes antigos, use geradores online, teste combinações improváveis. O processo pode ser tão criativo quanto a própria escrita.


Conclusão: nomes também contam histórias

Nomear personagens não é só um detalhe técnico: é parte da narrativa. Um bom nome ajuda o leitor a se conectar, fixa melhor na memória e reforça a verossimilhança do universo que você criou.

Então da próxima vez que travar, lembre-se:

  • Considere a origem cultural e familiar.
  • Pense na sonoridade.
  • Evite exageros na fantasia.
  • Não se prenda ao significado.

Agora é sua vez: qual foi o nome mais estranho, curioso ou criativo que você já deu a um personagem? Conta aí nos comentários, pode inspirar outros escritores!


🔎 Referências úteis

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1 Comentários

  1. Boas dicas!
    Sempre que vejo alguém dizer por aí que é interessante que o nome do personagem combine com sua personalidade, fico pensando que na verdade foram os pais que escolheram o nome, e ainda em uma época em que não tinham como saber quem a pessoa seria. Dessa forma, seria muito mais interessante escolher um nome que corresponderia às expectativas dos pais. Isso poderia até gerar um conflito para a história, afinal, será que o personagem seguirá os caminhos esperados pelos pais?
    Quanto a nomes em livros de fantasia, antigamente misturava letras e sílabas e saía inventando palavras estranhas, mas depois comecei a pensar melhor nisso. Quando você lida com personagens de diversas localidades em uma mesma história, não é interessante que todos os nomes pareçam ter vindo do mesmo idioma. Não chego a criar idiomas, mas vou mais ou menos na linha "No país X temos Nariana e Miriane, então surge Kaladev, então acho que esse é um estrangeiro".
    Outra coisa que acho interessante são homônimos. Não é necessário exagerar, para não confundir o leitor, mas é algo que dá um toque a mais à história e a aproxima dos leitores. Afinal, deve ter muita gente se inspirando naquela rainha famosa para nomear os filhos.

    Abraço!

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