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Resolvendo seu bloqueio criativo com estratégias simples (e rápidas)

notebook, caderno em branco com caneta, caneca de café


E aí, escritores? Como vão?

Quem nunca passou por um belo bloqueio criativo que atire a primeira pedra, não é mesmo? A gente senta, tenta escrever e se esforça ao máximo, mas não sai nada. Bate o desespero, principalmente quando a gente tem prazo para entregar uma história ou capítulo, e o que já era um problema fica ainda pior.

O post de hoje vai tentar identificar junto com você qual a raiz do problema e apresentar algumas maneiras para, pelo menos, tentar amenizar o dano quando você estiver enfrentando um.

Vem!


Introdução: O que realmente costuma estar por trás do bloqueio criativo

Normalmente, ficamos bloqueados porque um ponto específico da história trava: precisa acontecer algo que a gente não sabe muito bem como passar para o papel; não sabemos bem o que vem depois; mesmo planejando acabamos alterando alguma parte ou seguindo por um caminho indevido; ou ainda porque a cena que acabamos de terminar não ficou tão boa quanto imaginamos e não sabemos como continuar, o que acaba atrapalhando todo o desenvolvimento da história.

Mas calma, não precisa mais arrancar os cabelos.

Hoje vou apresentar algumas técnicas simples que podem ajudar a resolver esse problema na maioria dos casos. Abre o Word para praticar e vem comigo.


1) Quando a cena não está interessante, descreva o que acontece usando os 5 sentidos do personagem

Naqueles momentos em que bloqueamos porque não conseguimos gostar da cena em andamento ou recém-terminada, calma que nem tudo está perdido. Você pode voltar para reescrevê-la seguindo essa dica ou tentar refazê-la do zero.

A ideia é mais simples do que parece. Ao invés de simplesmente dizer que o seu personagem fez tal coisa, experimente narrar o que ele vê, sente, cheira e ouve no processo. Se coloque nos calcanhares do seu personagem e perceba o mundo como ele percebe.

O seu “Fulano saiu da sala e caminhou sonolento e a passos lentos para o quarto” vai ficar muito mais interessante se você disser que “Fulano levantou do sofá com um longo bocejo e se espreguiçou. Caminhou devagar até a porta com o suor pegajoso de um dia quente grudando em sua pele, mas o sono que pesava em suas pálpebras era demais para permitir mais um banho antes de se jogar na cama e dormir até o dia seguinte”.


Quando a história teima em seguir outro caminho

Muitas vezes, mesmo quando planejamos nossos textos, nossa mente acaba nos mandando seguir um caminho diferente do que queríamos com a história. Determinado personagem acaba aparecendo antes do previsto (oi, Helena de “Mar Aberto”), se machucando (é para você mesmo que estou olhando, George de “Borboletas Carmesins”) ou até fazendo algo muito estúpido (a Rebecca me aprontou uma dessa logo no começo da nova versão de “Sem Deixar Vestígios”).

É mais do que natural que essa bagunça gere estresse para resolver a sujeira depois, caso você não tenha coragem de limar essa parte não desejada e se forçar a seguir o que queria inicialmente.

Não deixei a Rebecca fazer uma burrice sem tamanho logo de cara, mas com a Helena e o George não teve o que fazer. Resolvi acatar suas decisões, voltei alguns capítulos para não tornar suas aparições ou ações muito bruscas e trabalhei para dar sentido a esses momentos na trama. BC ainda está muito no começo para dizer, mas Mar Aberto acabou crescendo muito com a Helena aparecendo logo no primeiro capítulo e não no décimo quinto, como eu queria originalmente.

Mas se você não consegue se adaptar nem tem coragem de eliminar o trecho (ou se livrar do problema mandando o personagem de “arrasta pra cima” MUAHAHA), pode tentar voltar só um pouquinho para levá-lo a outras paragens.

Lembro de uma história que corrigi dessa forma algum tempo atrás. A personagem deveria seguir reto em uma rua e, lá no final, dobrar a direita para ir até a casa de um aliado planejar uma tática de defesa à organização para a qual trabalhavam (toda história minha tem tiro, porrada e bomba, até já me adaptei a essa realidade e desisti de tentar mudar hehe).

Acontece que, não sei por que motivo, a piranha virou à esquerda, o que não fazia sentido algum porque ela conhecia o endereço do cara, e ainda encontrou uns manos do grupo rival que a encurralaram. Depois de muito choro e ranger de dentes, resolvi isso voltando umas quadras, fazendo a bitch perceber que estava sendo seguida, despistar indo para outro lugar e virando o jogo, encurralando e vencendo o grupo. Muito mais condizente com o clima da história e com o perfil da personagem.

E agora vou ter que mudar isso também e colocar logo no começo porque dei um spoiler gigante, mas faz parte.


Quando você não sabe para onde ir com a história: faça algo inesperado acontecer

Para aqueles momentos em que não é uma cena travando tudo, mas o rumo da história que não está agradando, seja por estar muito parado ou porque você não curte planejar e acabou ficando sem ideias do que fazer a seguir, o ideal é surpreender.

Não só seus personagens e leitores, mas até você mesmo.

Insira um personagem novo, mate alguém, coloque alguém para beijar quem não devia, faça alguém muito importante sofrer um acidente, um objeto crucial para a trama se perder (ou mesmo quebrar) ou algo do tipo. Quanto mais legal e diferente, melhor. Mais você vai se forçar a continuar escrevendo só para resolver essa nova treta.

Só cuidado com o gênero. Dependendo do tema de sua história, algo muito mirabolante vai terminar de bagunçar sua cabeça. Não coloque uma abdução alienígena acontecendo do nada se o que você quer escrever é um romance adolescente completamente fundamentado no cotidiano. Moderação é a palavra-chave.


Quando você quer destravar sem bagunçar tudo: use um prompt de escrita

Se você tem medo de viajar demais na maionese durante o exercício anterior e acabar atraindo mais problemas para resolver depois do que aqueles que você já tem, pode ser muito útil usar um prompt, que nada mais é do que uma proposta de escrita que dá uma boa norteada em nossa história.

Elas existem aos montes no Pinterest (quase sempre, em inglês) e cheguei a ter um álbum só para esses posts lá na página que eu tinha no Facebook (se vocês animarem, dou um jeito de levar para o Instagram também). Existem alguns para gêneros específicos e outros são generalistas, e podem ser bastante úteis.


Conclusão: Bloqueio criativo é ajuste de rota, não fim de linha

Claro que nada disso é uma receita pronta e garantia de sucesso 100%, mas pode ser de muita ajuda quando estamos naquele momento em que nada parece adiantar. 

Bloqueio criativo tem cara de fim de mundo, mas, na prática, ele é muito mais sintoma do que sentença. Quando você trava, quase nunca é porque “não sabe mais escrever”, mas porque alguma coisa ali, na história ou no processo, perdeu o encaixe.

Também ajuda separar o que é bloqueio do que é simplesmente desinteresse. Tem dias em que a escolha mais honesta é admitir que você preferiu ver série ou escrever outra obra, e tudo bem. Mas, se a escrita ainda importa, em algum momento vai ser preciso encarar a página em branco com menos drama e mais estratégia.

Bloquear faz parte do processo, especialmente para quem escreve projetos longos e cheios de expectativa. O que diferencia quem termina histórias de quem abandona todas no meio é a disposição de observar onde a coisa emperra e testar saídas possíveis. Você não precisa “vencer o bloqueio” de uma vez por todas, só precisa destravar o suficiente para chegar até a próxima cena. Depois, a próxima. E assim por diante.

No fim das contas, o bloqueio não é um veredicto sobre o seu talento. É um convite (mesmo que um pouco grosseiro) para ajustar a rota, rever métodos e se relacionar com a escrita de um jeito menos místico e mais consciente.

Se você quiser, me conta nos comentários em qual tipo de travamento você mais se reconhece (cena sem graça, história empacada, ideia demais, ideia de menos) que eu posso pensar em um próximo post só com exemplos mais específicos.

Até :*

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2 Comentários

  1. Dicas simples e maravilhosas! Confesso que já usei a 3 kkkkkk
    Outra coisa que faço qd travo é retomar descrevendo o clima, o cenário, até inserir o personagem no contexto.
    Bjs e te admiro muito pelo trabalho que faz aqui, no Face e no Blog da Liga.

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    Respostas
    1. Na maioria dos meus bloqueios, eu dou um tempo e vou ler algo que tenha a ver com o tema que estou escrevendo, mas resolvi separar essa dica pra um post específico no qual quero falar sobre como a gente pode se inspirar nas obras alheias sem plagiar (integral ou parcialmente), de forma a ter ideias praticamente o tempo todo e adicionando nosso toque de originalidade ao mesmo tempo.
      E muito obrigada, flor <3 Fico muito feliz pelo reconhecimento e espero poder continuar contribuindo com a escrita de vocês por muito tempo ainda <3

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