Oi, pessoas.
Como alguns já devem ter percebido, especialmente os que me acompanham há mais tempo, nunca fui do tipo que se furta de ter conversas difíceis.
O post de hoje existe exatamente para isso.
Apesar de a primeira versão dele ter sido publicada há alguns anos, o problema não melhorou desde então. Ao contrário, parece só estar piorando, mas pretendo destrinchar outras questões relativas ao tema em outras postagens.
Por hoje, vamos ficar com a ideia de que, por mais que críticas sejam importantes, muitas pessas, de fato, passam do ponto e não sabem como fazê-las. A ideia aqui é indicar caminhos para quem quer tecer opiniões melhores sobre o que leu com mais embasamento e menos acidez.
Vamos?
Introdução: Como criticar sem destruir (nem virar mártir da sinceridade)
Eu sou dessas que já pegou um milhão de brigas internet afora defendendo que todos nós precisamos aprender a receber comentários negativos sobre tudo o que fazemos (não apenas na escrita).
Acho realmente preocupante que pessoas não saibam lidar com o pensamento discordante e as críticas diretas, partindo para uma defensiva prejudicial: bloqueiam o crítico, difamam, xingam e até orquestram ataques junto a seus seguidores (quem não se lembra da guerrinha por pontos de popularidade do Nyah antigamente, em que muitos autores se juntavam com leitores para tirarem pontos de quem fazia críticas negativas?).
Mas, por outro lado, ultimamente vejo o surgimento de outra forma de agir que acho tão perigosa quanto: pessoas que não sabem tecer críticas sem ofender os outros. Pior ainda é quem já vai criticar com esse objetivo e usa as piores palavras possíveis para desqualificar o trabalho alheio, atacando a pessoa e não expondo a opinião sobre o trabalho dela.
A meu ver, tudo na vida tem que ter equilíbrio e, por isso, eu talvez vá gerar mais milhões de outras tretas, mas preciso dizer: por um lado, precisamos aprender a receber críticas sem nos sentir pessoalmente ofendidos, e por outro também precisamos entender que do outro lado da tela há um ser humano que merece respeito e, por mais pobre e raso que esteja seu texto, ninguém merece ouvir palavras como “lixo” e afins.
Tudo para que você pareça alguém que sabe o que está falando, não um belo hater.
Apontar erros com precisão: onde, exatamente, as coisas desandam
Ao apontar um erro, indique onde ele ocorre.
Apontamentos vagos como “tem alguns errinhos” não costumam ajudar muito porque, muitas vezes, somos incapazes de perceber o que houve de fato. Erros costumam passar batido e precisamos que alguém nos mostre onde eles estão exatamente para ser possível a mudança.
Não é necessário mostrar um por um (até porque em alguns casos, o comentário ficaria maior do que a história e porque, sendo sincera, ninguém é obrigado também), mas indicar um com mais cuidado e dizer que outros semelhantes ocorrem já é o suficiente para o autor se ligar no que faz de errado.
Criticar não é xingar: porque palavras ofensivas só atrapalham
Evite palavras ofensivas.
Esse é um dos pontos mais importantes. Tente manter o nível sempre, afinal a ideia é ajudar o autor a melhorar e não fazer com que ele desista da escrita, certo? (Até porque, se esse é seu objetivo, você precisa voltar umas cem casas na vida).
Seja educado e cordial sempre, mesmo que a história não tenha agradado nem um pouco. Lembre-se de que, do outro lado da tela, existe uma pessoa e, por mais sério que seja o deslize, ninguém merece ser desrespeitado ou xingado por isso. Todos nós cometemos erros e ninguém nasce sabendo escrever (ou fazer o que quer que seja), é um trabalho diário de esforço, tentativa e melhoria.
Além de que uma postura agressiva só vai te trazer problemas e minar as chances de as pessoas te ouvirem, não importando quanta razão você tenha.
Equilíbrio do olhar: pontos fortes também importam
Liste pontos fortes também, se conseguir encontrá-los.
Eu, particularmente, acredito que todo texto tem seu lado positivo, nem que seja a ideia que foi mal aproveitada. É complicado ver o lado bom de algumas histórias, eu sei, mas é importante dizer que eles estão lá quando identificá-los.
Não digo isso para você passar a mão na cabeça do autor ou fazer um mero contraponto: a ideia aqui é fazê-lo perceber que por mais que alguns pontos precisem ser mudados, outros já estão bons e ele pode manter.
Caso contrário, ele pode mudar tudo e, muitas vezes, o que era um diferencial e ponto forte acaba se perdendo nas reescritas subsequentes. Ele pode acertar o que apontamos e acabar voltando a errar por alterar o que não precisava.
Crítica útil oferece caminhos
Se possível, apresente sugestões.
Nem sempre vamos ter uma dica, mas quando isso acontecer, não custa nada deixá-la. Como já disse em outro post, conhecimento é um bem que não acaba quando compartilhamos. Ao contrário: ele aumenta e se multiplica.
Além de uma sugestão enriquecer seu comentário e mostrar que você realmente entende do que está falando, ainda ajuda o autor a evoluir mais rápido e facilita o entendimento dele do que você realmente quis dizer.
E, de quebra, ainda pode proporcionar uma interação muito bacana entre você e o escritor. Muitas amizades literárias começaram assim, na troca de ideias.
Sinceridade x grosseria: o abismo entre falar verdade e ser ogro
Sinceridade é diferente de grosseria.
Há um abismo gigantesco entre falar o que pensamos e destratar os outros. Quase sempre está na forma como falamos, então não custa nada observar como vamos passar nossa ideia de forma que ela não saia da maneira errada.
Soar grosseiro, rude e agressivo só faz as pessoas ficarem na defensiva com suas opiniões. Elas tenderão a desconsiderar o que você diz ou responder na mesma moeda, mesmo que você futuramente mude de posicionamento e passe a se colocar de outra forma.
Há formas de expressarmos nossa opinião negativa sobre algo minimizando os impactos dela. Só precisamos exercitar. Na prática, nem é tão difícil. Ao terminar seu comentário, releia-o e pense: “estou tratando os outros como gostaria de ser tratado?”.
Bônus – Não espere que todo mundo entenda
Por mais educados e cordiais que sejamos, infelizmente, nem todo mundo vai entender. Muitos vão continuar ignorando ou, pior, vão responder de maneira agressiva.
É normal, nem todo mundo está preparado para receber uma crítica. É algo que demanda tempo, maturidade, cabeça no lugar. O importante é não desanimar porque a interação com o autor não saiu como o esperado.
Por mais que alguns não lidem bem com críticas, há outros tantos apenas esperando por alguém que possa dar uma força com a escrita. Pessoas que praticamente imploram por isso, que querem melhorar de fato, desejam sanar seus problemas literários e apenas não sabem onde eles estão.
Continue sendo sincero e expondo seus pontos de vista sem grosserias, sem ter por objetivo destratar ninguém e, mais cedo ou mais tarde, encontrará essas pessoas para terem um feliz casamento literário.
Conclusão: Crítica boa é a que respeita e ajuda a crescer
No fim das contas, criticar bem é uma habilidade tão importante quanto saber receber críticas. Não basta apontar defeitos; é preciso saber como, por quê e para quê você está fazendo isso. A diferença entre um comentário que empurra o autor para frente e um que só machuca quase nunca está no fato de ser “positivo” ou “negativo”, e sim na combinação de três coisas: clareza, respeito e intenção.
Quando você indica onde o problema acontece, evita ofensas gratuitas, reconhece o que já funciona, oferece caminhos possíveis e cuida da forma como formula tudo isso, a crítica deixa de ser ataque e vira ferramenta. Você continua sendo sincero, continua podendo dizer “isso aqui não está bom”, mas faz isso de um jeito que abre espaço para reflexão, não para guerra.
Por outro lado, também é ingênuo esperar que todo mundo vá reagir bem o tempo todo. Alguns autores ainda não têm maturidade emocional para lidar com comentários mais duros, outros confundem qualquer apontamento com ódio. Isso não é motivo para você desistir de criticar; é só um lembrete de que crítica também é um ato de responsabilidade, mas não de controle. Você controla o que diz e como diz, não o que o outro faz com isso.
Se a ideia é ter um ambiente literário menos frágil e menos tóxico, o caminho passa pelos dois lados: escritores aprendendo a ouvir, e leitores/críticos aprendendo a falar. Você não precisa ser um ogro para ser honesto, nem precisa mentir para ser gentil. Dá para fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
E, convenhamos, num meio em que todo mundo diz que quer melhorar, alguém que aponta problemas com respeito é um dos melhores aliados que você pode ter.
Só ter paciência!
Beijos e até o próximo post.

4 Comentários
Obrigada, Michele!
ResponderExcluirÓtimo post!
<3
Eu que agradeço seu comentário <3
ExcluirÓtimo post! Amei principalmente a última dica. Realmente temos que manter em mente que nem todo mundo vai aceitar críticas, sendo elas construtivas ou não. Me lembra uma discussão acirrada que vi no Tumblr recentemente, sobre a questão de deixar concrit: deixar ou não deixar? Pois até mesmo concrit é considerado ofensivo caso o autor não queira receber feedback algum. Eu entendo a visão dessas pessoas mas não concordo que concrit é ofensivo de forma alguma...
ResponderExcluirDe qualquer forma, meus parabéns pelo trabalho 💞
Concordo plenamente. Críticas construtivas não são ofensivas, uma vez que o objetivo é justamente ajudar o autor a melhorar. Mas fazer o quê? Infelizmente não é todo mundo que está preparado para receber feedback minimamente negativo sobre seu trabalho. Perdem eles, que não melhoram.
ExcluirE desculpa a demora, o Blogger não me notificou dos comentários aguardando moderação D:
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