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Como escrever mesmo sem tempo (e sem transformar a escrita em mais uma fonte de culpa)



Olá, escritores sem tempo.

Ou melhor: olá para quem tenta encaixar escrita entre faculdade, trabalho, transporte, estudos, cansaço, obrigações da vida adulta e o pequeno detalhe de continuar funcionando minimamente como ser humano no meio disso tudo.

Já não é novidade para ninguém que uma das maiores dificuldades de quem escreve não costuma ser falta de ideias. Essas nós temos até no banho. Não! O problema todo é falta de tempo, energia e constância.
Como se já não fosse o bastante, ainda temos a culpa de brinde. A sensação de “eu deveria estar escrevendo mais”, “faz semanas que não encosto no projeto”, “quem escreve de verdade consegue manter rotina”, ou aquele clássico “talvez eu simplesmente não queira isso o suficiente”.

Mas a verdade é que boa parte das pessoas que escrevem hoje também trabalham, estudam, cuidam da casa, enfrentam transporte lotado, vivem cansadas porque não dormem o bastante e tentam equilibrar mil coisas ao mesmo tempo.

Então este post não é sobre produtividade milagrosa nem sobre acordar às cinco da manhã para escrever cinquenta páginas tomando café sem açúcar enquanto contempla o nascer do sol.

É só um conjunto de dicas práticas que realmente podem ajudar você a manter a escrita viva mesmo em rotinas corridas porque, às vezes, continuar escrevendo um pouco ainda é melhor do que abandonar completamente algo que importa para você.


5) Leve a escrita a sério, mesmo que ela ainda seja um hobby

Nenhuma dica daqui vai funcionar de verdade se, no fundo, você tratar a escrita como algo que só merece espaço quando “sobrar tempo”.

Porque quase nunca sobra.

Sempre vai existir um vídeo para assistir, uma rede social para abrir, uma distração rápida ou aquela falsa sensação de que amanhã você escreve.

Levar a escrita a sério não significa agir como se ela fosse mais importante do que seu trabalho, sua saúde mental ou suas responsabilidades. Até porque contas continuam precisando ser pagas e ninguém vive apenas de entusiasmo criativo.

Mas significa entender que, se escrever é algo importante para você, isso precisa ocupar algum espaço real na sua rotina, mesmo que pequeno.

Às vezes meia hora já basta. Às vezes dez minutos. Uma cena curta, um diálogo, uma ideia solta, um trecho de descrição ou um monólogo interno do personagem. Tudo isso conta e o texto não precisa nascer perfeito para merecer existir.

O importante é não deixar sua relação com a escrita virar apenas uma intenção vaga que nunca sai do lugar.


4) Dez minutos de escrita ainda são escrita

Muita gente deixa de escrever porque acredita que precisa de silêncio absoluto, horas livres, inspiração perfeita, concentração impecável e um ambiente aesthetic.

Enquanto isso, a vida real está jogando boleto, transporte público e exaustão mental na nossa cara. Então talvez uma das coisas mais importantes seja abandonar a ideia de que escrever só “vale” quando existe muito tempo disponível ou o ambiente com mais cara de “pin do Pinterest” possível.

A escrita em pouco tempo não vale menos só por ser pouco. Às vezes, dez minutos extremamente focados rendem mais do que duas horas distraídas.

Eu tenho certa sorte nesse aspecto porque moro em cidade pequena e quase tudo fica relativamente perto. Consigo fazer a maior parte das minhas atividades diárias andando por, no máximo, 15 minutos. Essas caminhadas acabam virando momentos em que, além de fazer o que precisa ser feito, observo pessoas, penso em cenas, destravo conflitos narrativos e organizo ideias mentalmente.

Mas mesmo quem passa horas em ônibus, metrô ou trânsito ainda pode aproveitar parte desse tempo de alguma maneira — tomando cuidado com segurança, claro.

Dá para anotar ideias no celular, escrever pequenos trechos, observar pessoas, testar diálogos mentalmente ou simplesmente refletir sobre aquela cena que está travada há dias. Às vezes continuar pensando na história já é uma forma de manter contato com ela.


3) Rotina ajuda mais do que inspiração constante

Não sei vocês, mas eu funciono infinitamente melhor quando tenho algum nível de organização prévia.

Saber minimamente como minha semana vai funcionar me ajuda a reduzir ansiedade e evitar sensação de caos, além de me permitir encontrar pequenas janelas de tempo entre uma atividade e outra.

Isso faz diferença enorme para manter qualquer hábito criativo vivo, mas muitos subestimam, esperando motivação espontânea para escrever, mas rotina costuma ser mais confiável do que inspiração.

Não precisa ser uma agenda militar nem uma programação impossível de seguir. Inclusive, quanto mais rígida ela for, maiores as chances de gerar frustração quando a vida inevitavelmente sair do controle.

Mas criar pequenos espaços previsíveis ajuda muito. Pode ser meia hora à noite, domingo de manhã, vinte minutos depois do almoço ou qualquer horário em que sua mente funcione melhor.

E aqui entra uma coisa importante: rotina também inclui descanso. Ninguém consegue produzir criativamente o tempo inteiro sem começar a sentir esgotamento mental em algum ponto.

Escrever não deveria virar mais uma fonte constante de culpa e esgotamento. Ao planejar sua rotina de escrita, inclua momentos de pausa.


2) Use a tecnologia a seu favor

Se o celular consegue roubar cinco horas da nossa vida em vídeos aleatórios de gatos, ele também pode ajudar a salvar ideias antes que elas desapareçam para sempre.

Nem sempre vai dar para parar e escrever de fato, principalmente para quem vive em cidades mais violentas ou passa muito tempo em deslocamento. Mas existem ferramentas extremamente úteis hoje. Gravadores de voz, aplicativos de notas, mensagens para si mesmo no WhatsApp ou Telegram, documentos sincronizados e planners digitais podem ser bem úteis.

O próprio Word possui recurso de ditado por voz, o que ajuda bastante em momentos em que você não consegue usar as mãos para escrever; e registrar uma ideia mal organizada ainda é melhor do que esquecer completamente dela duas horas depois.

A tecnologia pode distrair muito, claro. Mas também pode virar uma grande aliada da escrita quando usada de forma estratégica.


1) Organize sua rotina para encontrar espaços possíveis

Uma das formas mais eficientes de escrever com pouco tempo é simplesmente descobrir onde esse tempo realmente existe.

Porque muitas vezes ele existe, só está completamente pulverizado ao longo do dia. Agenda, planner, bloco de notas, aplicativo… tanto faz o formato. O importante é conseguir visualizar minimamente sua rotina.

Quando você olha para a semana inteira, fica muito mais fácil perceber horários mortos, intervalos pequenos, momentos de deslocamento e espaços possíveis para encaixar escrita sem transformar isso num sacrifício impossível.

Aqui talvez esteja uma das coisas mais importantes deste post inteiro: você não precisa viver exclusivamente para escrever. A vida adulta ocupa espaço. O cansaço ocupa espaço. Outras prioridades ocupam espaço.

Isso não invalida sua vontade de criar, só vai exigir mais organização e planejamento.


No fim das contas, constância costuma nascer do possível, não do ideal

Talvez você não consiga escrever todos os dias.

Talvez sua rotina nunca permita aquelas metas gigantescas de produtividade que aparecem na internet.

Talvez existam semanas em que tudo o que você consiga fazer seja anotar uma ideia aleatória no celular antes de dormir.

E ainda assim, isso continua sendo escrita. Escrever nem sempre acontece apenas quando estamos digitando. Às vezes acontece observando pessoas, organizando cenas mentalmente, destravando diálogos, pensando em personagens durante o ônibus ou tentando encontrar energia para continuar apesar do cansaço.

O importante é não abandonar completamente aquilo que faz sentido para você.

Mesmo que seja aos poucos, mesmo que seja devagar, ainda vale a pena.

Até o próximo post.

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2 Comentários

  1. Se planejar pra funcionar direito entendo bem. Mesmo quando a mente ta sob controle dos gatilhos, uma escorregada no planejamento parece que faz o dia não render nada e você ficar perdida no que tem que fazer com aquela sensação de que não tá saindo do lugar.
    A parte do post em que você comenta sobre não conseguir se focar mais que 30 min em alguma coisa me lembrou do Brain Focus, um app que minha melhor amiga me apresentou pra me ajudar a fazer o TCC, ele basicamente é um app que faz uso da Técnica pomodori e você pode personalizar os espaços de tempo que vai gastar, e te orienta a fazer uma pausa longa depois de alguns rounds de trabalho. O ponto é, nunca pensei em usar isso pra escrita ficcional, acho que vou tentar, agora que to livre do fardo e com a nota recebida comprovando o fato de que a técnica ajudou a produzir algo bom.
    Enfim, obrigada pelos post maravilhosos e irreverentes, tava com saudades de vir ler o blog <3

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    1. Sim, é isso mesmo. Quando a gente não tem uma forma de organizar o dia ou tem, mas não segue, eu pelo menos chego ao final com a sensação de "dia perdido" em que não fiz nada de útil, nem descansei direito hahaha Necessito de rotinas e listas de tarefas, ou tudo desanda.
      E fico muito feliz pelo seu TCC, que bom que deu tudo certo. Eu já tentei utilizar o método Pomodoro pra escrever (principalmente em tempos de NaNo) e funcionou muito bem, então recomendo. Vou até fazer uma anotação mental pra voltar a usar.
      E bem-vinda de volta <3 estou me esforçando pra não furar post, então posso dizer que é um retorno meu também hahaha :D

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