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A inveja na escrita: como lidar com isso e continuar motivado

inveja no meio literário

Oi, pessoal. Como vão? Espero que bem e escrevendo bastante.

Mas, sem maiores enrolações, vamos ao assunto.

Somos todos humanos, logo somos todos falhos. Quantas vezes não nos pegamos tendo sentimentos que, conscientemente, abominamos? Ou pensamentos que reprovamos?

Entre eles, creio que o da inveja seja um dos mais comuns. Seja de um bem material que o coleguinha tem e a gente não até algo mais abstrato, como o coleguinha ser mais popular e carismático que a gente. Quem nunca passou por isso, mesmo que intimamente não quisesse?

No meio literário, isso também é comum, e eu já me peguei assim algumas vezes. Fulano(a) escreve melhor, é mais conhecido(a), tem mais leitores que eu. Dá vontade de apagar tudo o que escrevi, me trancar no quarto e nunca mais sair de casa.

Pelo menos no meu caso, jamais tive o instinto de destruir os outros. Tampouco sinto inveja conscientemente. É algo mais que vem e eu me pego sentindo do que algo de propósito, e odeio isso. A inveja mata nossa capacidade de sermos nós mesmos, de sermos legais com os outros e de, especialmente no campo da escrita, fazer uma análise mais apurada do que acabamos de ler ou escrever. Aqui vou ser otimista e me apegar ao pensamento de que ninguém mais quer se sentir assim, por isso fiz esse post.

A boa notícia é que podemos usar um sentimento negativo para transformá-lo em algo positivo, que é tanto conhecer melhor aqueles que estão ao nosso redor quanto aprender com eles a desenvolvermos nossas habilidades.

Vamos por partes, mas bem... Se segura na cadeira e vem comigo.


Introdução: por que a inveja é tão comum entre escritores?

No mundo ideal, escritores seriam criaturas iluminadas, sempre felizes com o sucesso alheio, distribuindo elogios como confete e celebrando cada conquista de colegas de profissão. A literatura criaria mentes evoluídas e completamente incapazes de caírem nessas falhas humanas.

Mas no mundo real? Coisas ruins acontecem, alguns escritores cometem erros terríveis e a gente sente inveja. Simples assim.

E não porque somos pessoas ruins, mas porque somos humanos, inseguros, intensos, apaixonados pelo que fazemos e, claro, profundamente envolvidos com nossas histórias. A escrita expõe a alma, e quando a alma está exposta, qualquer comparação dói mais do que deveria.

Escritores sentem inveja porque lidam o tempo todo com variáveis instáveis: criatividade, visibilidade, reconhecimento, retorno emocional, números, leitores, engajamento. Tudo isso mexe com o ego, a autoestima e até com o amor que temos pela própria obra.

É normal se pegar pensando: “Por que aquela pessoa tem tantos comentários?”, “Como ela consegue escrever tão bem?”, “Por que não é comigo?”

Não é bonito, mas é real e fingir que esses sentimentos não existem só piora tudo.

Mas a inveja não precisa ser veneno. Ela pode ser sinal, alerta, espelho e, se você olhar para ela com honestidade, pode até se tornar uma das ferramentas mais úteis para crescer como escritor.

Vamos entender como.



# Se você está sendo o alvo da inveja:

Diferenciando inveja de crítica sincera

Primeiramente, não vou vir com frase feita.

Nada de "se estão te invejando, você deve estar fazendo certo" ou o clássico "a inveja dos haters é a velocidade do seu sucesso". Nem sempre isso é verdade.

E em segundo lugar, não ache que todo mundo que critica suas histórias é invejoso. Muitas vezes acontece justamente o contrário: a pessoa gosta tanto de você e do que você escreve que quer te ajudar a melhorar ainda mais.

Então o primeiro passo é conhecer melhor as pessoas ao seu redor e tentar captar se, de fato, elas estão te invejando ou só deixando críticas sinceras e construtivas e é o seu orgulho que impede de ver isso.

Eu não posso te dizer que sinais observar, até porque isso varia de pessoa para pessoa, apenas indico que observe com cuidado e tente conhecê-las bem.


Quando afastar-se é a melhor opção

Identificando que há, de fato, uma inveja rolando, também é interessante observar se a pessoa sente inveja, mas está quieta no canto dela (como disse, tem gente que sente sem perceber, ou percebe e se odeia por isso) ou se ela tem alguma postura negativa contra você.

Ela tenta te difamar? Espalha mentiras a seu respeito? Diz que seu trabalho, na verdade, é péssimo e você tem apenas puxa-sacos ao redor? E mais importante ainda: ela se finge de amiguinha para falar isso pelas suas costas ou pegar "carona" na sua fama? Se sim, olhos bem abertos. Afaste-se desse tipo de pessoa, se possível. Não fará nada bem.

No mais, vale muito mais apenas ignorar e seguir sua vida, dando ouvidos apenas às críticas sinceras, do que brigar. Evite o desgaste e aproveite o tempo que gastaria com as tretas para fazer algo mais produtivo, como estudar, escrever, divulgar e conseguir ainda mais leitores e comentários.


 

# Se você é quem está sentindo inveja:

Identificando o gatilho da inveja

Não se desespere. Como falei, somos todos humanos e erramos o tempo todo. O primeiro passo para mudar é reconhecer o problema, não importando qual seja ele.

É importante colocar duas coisas na cabeça:

a) Nada de ir tentar diminuir o coleguinha ou o trabalho dele; e

b) A inveja também te faz mal.

Com isso em mente, é tentar trabalhar para diminuir isso da forma mais produtiva que se tem. Primeiramente, identifique o que te provoca inveja no outro: é a qualidade da escrita? O enredo? Os personagens?

Ou são questões mais referentes a números: a pessoa tem mais leitores fiéis? Tem mais comentários e acompanhamentos? Mais avaliações positivas?

Isso é uma avaliação espelho. Se a pessoa te provoca inveja por X motivo, significa indiretamente duas coisas: que, pelo menos em sua opinião, ela faz algo muito bem e você, muito mal.


Transformando comparação em aprendizado

Identificado o problema, está na hora de mudar esse pensamento. Todo o sucesso da outra pessoa ou a qualidade do trabalho dela não caíram do céu. Ela não nasceu sabendo escrever. Muito menos apareceram 100 pessoas do nada para comentar em todo capítulo que ela posta ou milhares para comprar os livros que ela lança.

A não ser que seja alguém muito sortudo (e sorte não dá para repetir, ela simplesmente acontece. Aceite!), tudo foi fruto de muito trabalho árduo, até que ela atingisse o nível de qualidade ou o número de leitores que tem hoje. E veja só: se a outra pessoa conseguiu, você também pode.

Use a inveja como algo positivo para todo mundo: para se tornar mais produtivo. Se a pessoa escreve melhor que você, estude, se esforce, corra atrás de sites, cursos literários, pessoas que tenham um pouco mais de conhecimento da área que você. E treine, treine muito. Treine até que escrever se torne algo mais natural e mais próximo do que você realmente deseja escrever.

Se a outra pessoa tem mais leitores, invista em divulgação. Crie um blog, página ou grupo no Facebook, Twitter, blog, Tumblr, Instagram, TikTok ou mesmo tudo junto e chame a atenção do público (claro que investindo também em qualidade, se não ninguém fica).

Vale até se aproximar da pessoa e pedir ajuda para tentar aprender com ela. Não há nenhuma vergonha em pedir ajuda quando queremos fazer algo, mas ainda não sabemos como. Há vergonha em ficar sentado em posição fetal no canto do quarto ou espalhando ódio aos quatro ventos ao invés de arregaçar as mangas e trabalhar.

Usando a imagem que ilustra o post de exemplo: se a grama do vizinho está mais verde que a sua, não pule a cerca para tentar minar o esforço do outro e destruir todo o trabalho dele. Vá atrás de adubo e estude mais sobre jardinagem para deixar o seu gramado bonito também.


Evitando comportamentos destrutivos

Por fim, não torne esse processo bonito de aprendizado com o outro em uma competição vazia. Você não precisa ter mil comentários ou mil avaliações positivas na Amazon só porque o outro tem. Trilhe seu próprio caminho, faça seu trabalho e busque sempre evoluir.

Mas nunca para ser igual ou superar o outro apenas para mostrar que é melhor. Busque ser melhor do que você ontem e sua vida vai melhorar muito.

Sua escrita e o mundo agradecem.



Conclusão: evolução pessoal e escrita caminham juntas

Escrever bem não é só dominar técnica, estrutura, ritmo ou estilo. É também (e talvez principalmente) aprender a lidar consigo mesmo.

A escrita não evolui isolada: ela cresce junto com quem a pratica. Quando você entende suas emoções, incluindo as mais desconfortáveis, a escrita melhora. Quando você observa suas reações, a escrita melhora. Quando aprende a celebrar sem se diminuir e a admirar sem se machucar, a escrita melhora.

Porque inveja não é o problema, o problema é o que você faz com ela. Ela pode virar competição vazia, ressentimento e sabotagem, ou combustível para estudar mais, escrever melhor, observar com mais atenção, treinar, aprender e amadurecer.

No fim das contas, o único escritor que você precisa superar é o que você foi ontem. A comparação externa pode até acender um incômodo, mas é o seu próprio caminho que determina até onde você vai.

Então continue estudando, continue escrevendo, continue se conhecendo e deixe que cada parte do seu crescimento, inclusive as mais difíceis, transforme sua escrita em algo ainda mais poderoso.



Por hoje é só, até a semana que vem.

Espero que tenham curtido. Sugestões, elogios e críticas, você pode sempre deixar nos comentários. Caso tenha um pedido de post, só deixar por lá também :)

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